Tour Virtual Igreja Bom Jesus de Itu

Por que os sinos não dobram?

História da Igreja do Bom Jesus de Itu


por Maria Cândida Silveira Arruda

No começo do século XVII no ano de 1610 com a fundação da Vila de Ytú-Guassu pelo sertanista paulista Domingos Fernandes e seu genro Christóvão Diniz ergueram esta Capela no campo de Pirapitingui, e dedicaram a N. Sra da Candelária.

No ano de 1669 com o crescimento da Vila, foi construída uma outra Igreja Matriz maior, transferindo assim a imagem de N. Sra da Candelária para esta nova Matriz, ficando a Capela inicial dedicada ao Senhor Bom Jesus, devoção de origem portuguesa, trazida ao Brasil no tempo da colônia.

Passados 150 anos (1763 a 1765) João da Costa Aranha, tesoureiro e protetor da Capela procedeu a reedificação da Igreja, edificando o Campanário, sendo demolido no ano de 1828 para dar lugar a Torre, construído o frontispício da fachada em estilo barroco e o retábulo do altar-mór.

Justamente na década de 1850 com o apogeu da produção açucareira, trouxe riqueza para a cidade de Itu, incentivando mudanças de hábitos e de interesses, sendo uma delas as manifestações artísticas em geral.
A construção primitiva do teatro São Domingos apresentava características externas do período colonial. Sua fachada está voltada no alto do morro que dava acesso à área rural, conhecida pelos ituanos como Rua do Teatro, hoje Rua dos Andradas.

Na década de 1920, este foi adaptado para sala de cinema, na década de 1940, já sob a posse da Cúria foi radicalmente modificado, passou a ser utilizado como salão Paroquial, com ocupações diversas, a mais famosa era a exposição do presépio mecanizado. Serviu durante a 2.ª guerra mundial como abrigo de refugiados judeus, e em 1954 foi ocupado como alojamento de estudantes. As últimas atividades serviram para eventos religiosos, palestras e aulas.

Em 1896 foi executada a reforma da fachada da Igreja, pelo arquiteto francês Louis Marins Amirat, residente em Itu; desta vez a Torre foi eliminada e adotou-se o estilo neoclássico no novo frontispício, encimado pelas estátuas dos quatro Evangelistas, característico da gestão jesuítica, firmando o estilo romano nas suas edificações.

Sob a coordenação e projeto de sua autoria, Pe Bartholomeu Taddei (sacerdote jesuíta italiano) em 1903 a 1904 erigiu o Santuário Central do Apostolado da Oração (anexo à Nave da Igreja do Bom Jesus) sob a responsabilidade do arquiteto Amirat, em comemoração do Jubileu Sacerdotal do Sumo Pontífice Leão XXIII. Desta vez esta grande obra implicou na modificação dos elementos originais da Igreja de taipa. Foram criados arcos entre as Naves e realizadas aberturas nas paredes anexando a Igreja ao Santuário.

Novas reformas aconteceram no ano de 1955. Houve a troca total do piso de madeira de toda a Igreja por ladrilhos hidráulicos, consta que nesta mesma década o forro da Capela-mór foi reformado, com motivos diferentes dos anteriores.

De 1962 a 1964 a Igreja enfrentou uma nova reforma, onde substituíram o forro de madeira policromada por placas de madeira aglomerada. Toda pintura sobre estas placas foram executadas pelo artista Virgílio Baglioni, e construíram o bloco do seminário Diocesano.
No ano de 2001 foi executado o restauro da pintura decorativa e artística do Santuário do Sagrado Coração de Jesus por Mauro Andreatti.

A última intervenção da Igreja foi no ano de 2006 com o retorno dos objetos decorativos originais que pertenciam a este Templo, alguns distribuídos por museus e por outras Igrejas em diversas cidades.

Os sinos do campanário não repicam diariamente há dez anos. Eles despertam somente nas datas importantes das cerimônias da Igreja, voltando em seguida ao seu silêncio, respeitando uma precaução das possíveis consequências desastrosas que as vibrações podem causar em sua envelhecida casa.

Esta imponente e valiosa Igreja para os Ituanos, encontra-se nos dias de hoje num desgaste progressivo de muitos elementos de sua edificação, necessitando hoje ajuda de todos aqueles que valorizam a história e a memória de seu povo, dos homens que construíram com determinação e coragem o nosso grandioso passado.



(fonte bibliográfica: Sasso, Francis e Winter – Arquitetos)